WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) – O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), decidiu adiar a viagem que faria para os Estados Unidos na próxima semana. A nova data ainda não foi divulgada.

Segundo Filipe Martins, assessor para relações internacionais do PSL que acompanharia o deputado na viagem, a decisão foi tomada porque Eduardo terá que se dedicar a compromissos ligados à transição de governo nos próximos dias.

Eduardo afirmou na última terça-feira (6) a veículos de comunicação que embarcaria para os EUA na próxima segunda (12) para se encontrar com autoridades americanas, entre elas o vice-presidente, Mike Pence, e o secretário de Estado, Mike Pompeo.

A viagem, como escreveu em uma rede social, seria “parte de um esforço inicial de aproximação e boa vontade entre o Brasil e os EUA, duas nações amigas que foram afastadas nos últimos anos por motivos ideológicos”.

A Casa Branca e o Departamento de Estado, contudo, não confirmaram esses encontros.

O vice-presidente, por exemplo, não estará em Washington na próxima semana, mas na Ásia, segundo a sua assessoria de imprensa.

Como foi anunciado no fim de agosto, Pence representará Donald Trump nas cúpulas da Asean (Associação das Nações do Sudeste Asiático) e do Leste Asiático, ambas em Singapura. Depois, seguirá para a Papua-Nova Guiné, onde participará de reuniões da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico.

Eduardo afirmou que a sua viagem para os Estados Unidos foi promovida por um think tank americano (na verdade, um “pool de think tanks renomados de Washington”, segundo o assessor do PSL, sem especificar quais seriam eles).

A Folha de S.Paulo entrou em contato com 11 dos principais think tanks americanos para apurar se estavam envolvidos na iniciativa: American Enterprise Institute, Atlantic Council, Brazil Institute, Brookings Institution, Cato, Council on Foreign Relations, CSIS, Hudson Institute, Peterson Institute for International Economics, The Heritage Foundation, The Inter-American Dialogue. Desses, dez não estavam a par da iniciativa, e o Council of Foreign Relations não respondeu até a publicação deste texto.

O estreitamento das relações entre a família Bolsonaro e os Estados Unidos vem ocorrendo desde o início da campanha. Em outubro de 2017, o então candidato a presidente participou de palestras fechadas com investidores e analistas na Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos e no Conselho das Américas.

No mesmo mês, Jair Bolsonaro cancelou uma palestra aberta ao público que faria na Universidade George Washington, na capital americana, a menos de 24 horas do início. Assessores afirmaram à época que ele havia decidido priorizar compromissos em Nova York.

O evento desencadeou uma onda de protestos. Um grupo de mais de 400 professores, estudantes e pesquisadores assinou uma carta repudiando a iniciativa da universidade de convidá-lo para palestrar.

Mark Langevin, então diretor do departamento para Brasil da instituição, defendeu a palestra como um “direito ao debate democrático”.

Em agosto deste ano, Eduardo se encontrou com Steve Bannon, ex-estrategista-chefe de Donald Trump, e disse que os dois manteriam contato “para somar forças, principalmente contra o marxismo cultural”.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Bannon afirmou que ficou “muito bem impressionado com Eduardo e seus assessores” e que tinham “a mesma perspectiva em relação à economia, estabilidade, lei e ordem”. Disse ainda que, apesar de ter mantido contato com eles de forma informal durante a campanha, “eles não precisaram de nenhuma ajuda” porque “são muito sofisticados”.



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