Com apenas oito anos de idade, Bruninho questiona com frequência a avó, com quem vive desde bebê, sobre a situação de seus pais. Filho do ex-goleiro Bruno com a modelo Eliza Samudio, o garoto nunca chegou a conhecê-los pois o assassinato da mãe, atribuído ao pai, em crime que ficou conhecido por todo o país, ocorreu quando ele ainda era bebê.

“Por que ele tentou me matar? Era um bebê”, questionou o menino a avó, Sônia de Fátima Marcelo da Silva Moura, como relatado em reportagem do portal Uol.

Preso em 2010, Bruno Fernandes de Souza, então goleiro do Flamengo, foi condenado por homicídio triplamente qualificado de Eliza Samudio, e por sequestro e cárcere privado do filho deles, Bruninho. À ocasião, ele alegava que a mulher, sua ex-namorada, o tentara extorquir com pedidos de pensão da criança — de quem duvidada da paternidade. Em depoimento, um primo do jogador que teve participação no crime detalhou que a mulher teve o corpo esquartejado e escondido em sacolas plásticas antes de ser queimado. Os restos de Eliza nunca foram encontrados.

“Tenho receio pelas nossas vidas. Minha e do meu neto. É uma mistura de sentimentos. Ele poderá recomeçar a vida dele, minha filha não (assassinada com 25 anos). Mataram ela e todos seus sonhos. Não tiveram piedade. Bruninho foi largado em uma favela e só não morreu porque não tiveram coragem de matá-lo”, conta Sônia ao portal.

A notícia de que Bruno vai pedir a progressão de pena para o regime semiaberto domiciliar assusta a mãe de Eliza Samudio. Ela teme pela segurança de sua família e pela possibilidade do goleiro exigir a guarda da criança, atualmente pertencente à avó. Sônia ressalta que não recebe pensão ou qualquer tipo de ajuda para criar o menino.

“Andamos sempre alerta. Levo e busco na escola, nas aulas de futebol [faz alguns meses que ele pediu para treinar], consultas médicas, alerto sobre os portões no colégio e digo para ele gritar caso algo ocorra”, relata ela, que receia que Bruno tente fazer contato com o filho.

Segundo Sônia, Bruninho descobriu apenas este ano que a mãe foi assassinada a mando do pai. Tanto ela quanto o garoto frequentam uma psicóloga que vem auxiliando no modo de lidar com o caso. “Tentei poupá-lo da história dele o máximo que pude. Porque a carga é pesada, mas sua história é conhecida no mundo. No fundo, é só uma criança”, disse ao Uol.

Condenação

Mesmo preso em 2010, Bruno teve a condenação apenas em 2012 — um dos crimes que constava na lista, por ocultação de cadáver, teve a pena extinta após o crime prescrever.

Após cumprir pena em grandes penitenciárias, Bruno foi transferido em 2015 para uma das unidades administradas pela Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac), apontada como presídio-modelo, e ali permaneceu até fevereiro de 2017, quando foi libertado após um habeas corpus concedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello. Pouco mais de dois meses depois, retornou ao cárcere por decisão da Primeira Turma da Corte, que derrubou a liminar por 3 votos a 1.



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