SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O longa “Roma” do diretor mexicano Alfonso Cuarón venceu o Leão de Ouro no Festival de Veneza, neste sábado (8). 

O filme trata de um intenso retrato em preto e branco e muito pessoal do México dos anos 1970. Sem celebridades, trata-se do trabalho mais intimista do cineasta mexicano que se inspira em sua própria família e resulta em um documento emocionante e comovente sobre as diferenças sociais e raciais de seu país.

Depois do hollywoodiano “Gravidade”, que venceu sete prêmios Oscar em 2013, o cineasta mexicano volta a filmar em espanhol para narrar a América Latina que conhece, onde contrastes sociais convivem em um universo repleto de sentimentos, reflexões e diferenças culturais que se cruzam e se alimentam.

“Roma” já tinha sido considerado um dos favoritos ao prêmio após receber nota máxima de cinco dos dez críticos internacionais –os outros cinco deram 4,5 (de um avaliação que vai até cinco). 

Tinha sido levantado a hipótese de que o fato do presidente do júri ser Guillermo del Toro, também mexicano e amigo do cineasta, poderia pesar contra Cuarón. 

“Aqui julgamos a qualidade das obras, independentemente do país de origem ou do nome do diretor”, alertou Del Toro, que ganhou o Leão de Ouro em 2017 com “A Forma da Água”.

A vitória de Cuarón relança também o debate sobre a Netflix, que produziu e distribuiu o filme. O prêmio abre caminho para outro Oscar do diretor mexicano.

Cuarón já recebeu também neste sábado (8) o prêmio SIGNIS da Associação Mundial Católica da Comunicação por “Roma”. Avaliado por vários críticos italianos como uma “obra-prima”, “épico” e “deslumbrante”, o filme é dedicado a Libo, a babá do cineasta. Sua personagem, a doméstica de origem indígena Cleo, é interpretada  por Yalitza Aparicio.

“Ela foi minha babá na infância e depois se tornou parte da família, e nós viramos parte de sua família”, afirmou o diretor.

Os outros filmes que estavam na competição eram “The Favourite”, do grego Yorgos Lanthimos, um filme sobre o poder e as mulheres, baseado em fatos reais, do século 18 na corte da Inglaterra, com três grandes atrizes Emma Stone, Olivia Colman e Rachel Weisz.

Também esteve na disputa o primeiro faroeste do francês Jacques Audiard, uma reflexão sobre a fraternidade com Joaquin Phoenix, John C. Reilly e Jake Gyllenhaal.

O drama cômico “Vida Duplas” do francês Olivier Assayas também estava concorrendo ao prêmio. O filme fala sobre um editor (Guillaume Canet) que enfrenta a novidade dos “e-books”.

Outra vencedor latino no sábado (8) foi o documentário sobre a vida do ex-presidente do Uruguai José Mujica, “Pepe, uma Vida Suprema” premiado pelo Conselho Internacional de Cinema e Televisão da Unesco.

O longa é do cineasta Emir Kusturica de “Maradona by Kusturica” (2008). Mujica se tornou, involuntariamente, a estrela do festival de cinema de Veneza, provocando aplausos por sua simplicidade e seu desejo de ser uma referência ética para o mundo depois de sua passagem pelo tapete veneziano.



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