O embaixador dos Estados Unidos ante a Organização dos Estados Americanos (OEA), Carlos Trujillo, exortou, em entrevista à AFP, o governo de Nicolás Maduro a admitir que há uma crise humanitária na Venezuela e aceitar ajuda para frear a crescente migração de venezuelanos.

Pergunta: Como você vê o grupo criado na OEA para abordar a migração venezuelana?

Resposta: É um passo positivo para avaliar a melhor maneira de tratar o tema. Mas também temos que focar em qual é a causa da migração. Na Venezuela não houve um furacão ou um terremoto. A causa é o desastre de Nicolás Maduro. Falta de democracia, má administração, violações de direitos humanos causaram a migração que vimos por toda a região.

P: O que a OEA pode fazer? Muitos estão frustrados com a gestão até agora.

R: Na OEA também estamos frustrados. A primeira coisa que o governo da Venezuela tem que fazer é reconhecer que há uma crise humanitária e aceitar ajuda para que as pessoas não tenham de ir para os países vizinhos. Na OEA, o embaixador (Samuel) Moncada em nenhum momento reconhece a crise, nem fala dos migrantes, da falta de remédios e de acesso à comida, à água. Foca o debate em atacar os Estados Unidos e não reconhece todo o mal pelo qual seu país está passando, que é inaceitável.

P: O governo de Maduro diz que a crise se deve às sanções americanas.

R: Não pusemos nem um dólar de sanções contra o petróleo. O petróleo na Venezuela, antes do desastre do regime de Maduro, produzia 95% do PIB. Estão dizendo que nos 5% que atacamos causamos 100% do dano. O dono do desastre total econômico da Venezuela é Nicolás Maduro.

P: Os Estados Unidos aplicarão mais sanções?

R: Como o presidente (Donald Trump) e o governo já disseram muitas vezes, os Estados Unidos estão comprometidos com que a democracia possa voltar à Venezuela.

P: E como fará isso?

R: Há várias coisas que temos que levar em consideração. Há a questão dos migrantes. É importante reconhecer e ajudar as pessoas que tiveram que sair do país. Os Estados Unidos puseram mais de 60 milhões de dólares para isso. Mas há também a questão de uma mudança de sistema na Venezuela, que permita celebrar a democracia e os direitos humanos. O que disseram os Estados Unidos é que todas as possibilidades estão sobre a mesa. Não há uma só opção. É uma combinação de fatores, que não só os Estados Unidos mas a região inteira têm de repassar e ver qual seria o melhor prazo para que a Venezuela volte à democracia.

P: Você sugeriu que poderia ser gerado um conflito armado com a Venezuela por tensões fronteiriças. A que se refere?

R: Nunca falei de uma guerra. Disse que os países (da região) vão ter de tomar decisões muito difíceis. Os recursos que atender os migrantes significam para países como Colômbia, Brasil, Peru, são cifras bastante altas. E os migrantes seguirão chegando, porque o sistema na Venezuela não está melhorando. E sabemos da falta de controle do governo da Venezuela sobre o crime organizado e o narcotráfico. São situações bem difíceis para a região. Por isso os chanceleres se reuniram no Equador, como fizeram no Grupo de Lima. A Venezuela é um tema que está vigente há mais de dois anos e não há solução à vista.

P: Está descartada a opção de uma intervenção militar na Venezuela?

R: A Casa Branca e o presidente disseram em várias ocasiões que todas as opções estão sobre a mesa.



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