“A pílula anticoncepcional quase me matou”, conta professora que sofreu embolia pulmonar

“A pílula anticoncepcional quase me matou”, conta professora que sofreu embolia pulmonar

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Por Thiago Varella

Até completar 38 anos, a professora Fernanda Martins não tomava pílula anticoncepcional. Mãe de dois filhos, por conta de um tratamento de um cisto no ovário passou a usar Elani 28, por recomendação médica.

Após o fim da primeira cartela, Fernanda passou a sentir uma estranha dor na perna direita. Assustada, procurou seu ginecologista, o mesmo que receitou o anticoncepcional. O médico minimizou o problema.

“Ele disse que não era trombose, pois, se fosse, eu não conseguiria colocar o pé no chão. Para ele, era apenas meu organismo se acostumando ao remédio”, contou Fernanda, que mora em Salto, no interior de São Paulo.

Conforme o passar do tempo, os sintomas foram aumentando. Fernanda passou a sentir dores no peito. Ela procurou diversos médicos que tratavam o sintoma, a medicavam, mas não suspeitavam do anticoncepcional.

Após quatro meses de uso do remédio, a professora começou a sofrer desmaios. Foi quando um cardiologista pediu uma tomografia das pernas. Nem deu tempo de fazer o exame. Poucas horas após a consulta, Fernanda passou mal e foi internada em um hospital. Seu caso era tão grave que foi parar direto na UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

“Tive trombose na panturrilha direita que acabou se tornando uma embolia pulmonar. Meu coração inchou 30%. Passei cinco dias na UTI”, contou. A trombose é a formação de coágulos de sangue dentro do sistema vascular. Quando um deles de desprende e entope um pulmão, a paciente sofre embolia pulmonar.

A vida de Fernanda parou completamente. Ela só voltou ao trabalho dois meses depois. Até hoje, ela sente dores na perna e não pode realizar atividades físicas.

“Tive muito medo de morrer. Quando fui parar na UTI, achei que tudo tinha acabado. Foi apavorante. Fora que a dor era enorme. Inexplicável”, relembrou.

Além da dor física, o problema também afetou psicologicamente a professora. Hoje, ela diz não acreditar em médicos, apesar de seguir em acompanhamento com diversos profissionais diferentes.

Fernanda acredita que um simples exame, antes da prescrição do anticoncepcional, poderia ter evitado todo o problema.

“Muitos médicos não têm esse cuidado de pedir um exame. Fico indignada, pois poderia ter morrido”, disse.

Outro caso…
A adolescente Vitória Dias, de 17 anos, também quase morreu por conta de uma trombose causada pelo uso de pílula anticoncepcional. Ela tinha 14 anos quando foi aconselhada por um médico a tomar o remédio para tratar acne.

“Tomei por um ano e fui diagnosticada com trombose na perna esquerda. Fiquei uma semana sem poder andar. Fui internada. Eu era uma criança. De repente, estava em um hospital, usando fraldas”, contou.

Quando recebeu alta, ficou de repouso absoluto por dias. Vitória só voltou a andar após um mês.

Hoje, ela ainda sofre com muitas dores e com inchaço na perna. Ela precisa usar meia de alta compressão e não pode mais tomar anticoncepcionais.

“Acabei engravidando e foi um risco muito grande. Por sorte, correu tudo bem e minha filha é saudável”, disse.

Visão médica
Segundo o médico Luciano Pompei, professor de ginecologia da Faculdade de Medicina do ABC e membro da diretoria da Sogesp (Associação de Obstetrícia e Ginecologia de São Paulo), a Organização Mundial da Saúde não exige exame para quem vai usar anticoncepcionais saber se tem propensão a trombose.

Para o médico, quem já teve casos de trombose na família, as obesas, as diabéticas e as mulheres fumantes acima de 35 anos devem fazer o exame.

Pompei assegura que, no geral, a pílula anticoncepcional é segura, mas, como todo medicamento, apresenta riscos.

“A chance de uma usuária de pílula ter trombose é de oito casos em cada 10 mil por ano”, afirmou. “A sociedade deve entender que qualquer método anticoncepcional deve ser visto como um tratamento médico. Existem benefícios e riscos como em qualquer remédio”, completou.

O médico afirmou que nem sempre a trombose pode apresentar sintomas, mas, geralmente, a paciente sofre dores em uma das pernas. “Uma dor mais persistente na perna sempre merece uma investigação mais detalhada”, disse.

A professora Priscila Gava Mazzola, coordenadora do curso de Farmácia da Unicamp, concorda que as pílulas anticoncepcionais são, no geral, seguras.

“O uso de contraceptivos orais aumenta o risco de as pacientes desenvolverem trombose, mas não havendo outros fatores combinados o risco é pequeno”, disse.

Segundo ela, os exames genéticos detectam com precisão a predisposição à trombose e podem auxiliar na decisão do método contraceptivo. No entanto, esses exames são caros e nem sempre são cobertos por planos de saúde.

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