Socorristas buscam mais vítimas de terremoto em comunidades isoladas do sul do México

Socorristas buscam mais vítimas de terremoto em comunidades isoladas do sul do México

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Os trabalhos de resgate e de auxílio à população após o terremoto de 8,2 graus, o maior em um século, prosseguiam neste domingo em comunidades de difícil acesso no sul do México, onde já se contam 65 mortos, segundo números oficiais.

O ministério do Interior mantém a contagem de 65 óbitos, revisando uma informação preliminar que apontava 71 falecimentos no estado de Oaxaca, o que elevaria o número total de mortes com o terremoto a 90.

Assim, o ministério do Interior confirma 46 mortes em Oaxaca, 15 em Chiapas e quatro no estado de Tabasco.

O governador de Oaxaca, Alejandro Murat, tinha comunicado que “de maneira parcial” há “71 pessoas falecidas” no estado, o que elevaria o número total de óbitos a 90.

A ajuda humanitária começou a chegar apenas neste domingo às zonas do sul do México caracterizadas por numerosas montanhas, onde vivem pequenas comunidades que costumam ficar isoladas quando ocorrem terremotos ou tempestades.

Em Juchitán, Oaxaca, de 100 mil habitantes, convertida em epicentro da tragédia, com 37 mortes confirmadas, a população teve outra noite de terror com as réplicas constantes do terremoto, que já somam mais de 800.

Um dos poucos hotéis que pareciam ter resistido ao terremoto de quinta-feira sofreu com uma réplica de 5,6 graus. Os poucos hóspedes correram para a rua e, depois, tiveram que abandonar o hotel, devido ao risco de desabamento.

Na pequena praça da Igreja de Martes Santo, várias famílias – com crianças e idosos – dormiram na rua, temendo voltar para suas casas. As pessoas evitam os albergues porque temem ser assaltadas.

Em uma chuvosa manhã de domingo, as mulheres se organizaram para cozinhar na rua, enquanto os homens e as crianças trabalham retirando os escombros de suas casas: blocos de concreto, vigas de madeira, janelas e telhas destruídas.

“Seguimos sem água e sem luz, dormimos com as crianças na rua e ninguém veio nos ajudar”, disse à AFP María de los Angeles Orozco.

Nas ruas de Juchitán se sucediam os cortejos fúnebres, sob o som de bandas, como é o costume desta cidade, habitada pricipalmente por indígenas da etnia zapoteca.

Entre as vítimas está Manuela Villalobos, 85 anos, que morreu com a queda do telhado de sua casa enquanto dormia.

“Era uma mulher muito forte, cuidava para que as novas gerações conhecessem as tradições de zapotecas, inclusive os rituais funerários”, lembrou seu neto Cristian Juarez, 46 anos, médico.

O terremoto ocorreu às 23h49 locais de quinta-feira, perto da localidade de Tonalá (Chiapas), no Pacífico, a cerca de 100km da costa.

A Cidade do México, devastada em 1985 por um terremoto de 8,1 graus que deixou mais de 10 mil mortos, chegou a sentir o tremor, mas saiu ilesa.

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