Ex-procuradora atribui perseguição de Maduro à investigação do caso Odebrecht

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Cidade do México, 18 ago (EFE).- A ex-procuradora-geral da Venezuela Luisa Ortega atribuiu o que definiu como “perseguição sistemática” do governo de Nicolás Maduro contra ela e funcionários do Ministério Público à investigação do caso de pagamento de propinas pela Odebrecht em vários países da região.

“É o maior caso de corrupção na região, e isso os deixa muito preocupados e angustiados, porque sabem que temos as informações e os detalhes de todas as operações, quantias e personagens que enriqueceram”, afirmou Ortega em uma conferência telefônica com a Cúpula de Procuradores e Promotores da América Latina, que termina nesta sexta-feira na cidade de Puebla, no México.

Ortega ressaltou que “a investigação envolve o senhor Nicolás Maduro e seu entorno”, e por isso qualquer informação que seja enviada ao Ministério Público “será utilizada para fins contrários aos previstos”, com destrição de evidências e informações aproveitadas “para atentar contra a fonte”.

A ex-procuradora foi uma aliada do chavismo governante, que defendeu sua permanência no cargo até o início deste ano e agora a acusa pelas 120 mortes ocorridas nos protestos contra Maduro e a vincula com uma suposta trama de extorsão pela qual já foi emitida uma ordem de prisão contra seu marido, o deputado Germán Ferrer.

Sobre este tema, ela afirmou que na Venezuela se vive “uma situação bem difícil, uma crise”, devido a “um governo que não é democrata, que assumiu a independência dos poderes públicos como uma ameaça à sua estabilidade”.

“O que aconteceu no sábado, 5 de agosto, foi a materialização das ameaças e assédios que durante meses vivemos todos os que trabalhamos no Ministério Público. A nossa instituição foi tomada militarmente pela força das baionetas”, disse Ortega, se referindo à data em que foi retirada do cargo.

Ortega contou que naquele dia “mais de 300 militares da Guarda Nacional e outras centenas de funcionários da polícia política participaram deste desonroso evento”.

“O pessoal do Ministério Público e muitos procuradores foram desalojados de forma violenta de seus lugares de trabalho. Eles e todo o pessoal foram submetidos a degradantes humilhações e muitos tiveram que deixar o país por medo de represálias ou atentados”, declarou.

A ex-procuradora também destacou que 74 procuradores especializados em corrupção foram proibidos de sair da Venezuela “sem nenhuma fórmula processual, ou seja, por capricho do governo, e muito disso tem a ver com a investigação sobre (o caso) Odebrecht”.

“Todos os senhores conhecem esse caso; o maior caso de corrupção na região”, frisou.

A dimensão internacional do caso Odebrecht veio à tona no final do ano passado, quando o Departamento de Justiça dos Estados Unidos revelou que a construtora brasileira admitiu ter pagado US$ 788 milhões em propinas em 12 países de América Latina e a África, incluido o Brasil.

Na conferência telefônica, Ortega disse ser alvo de uma “perseguição sistemática” e que o povo da Venezuela também é “perseguido e dominado através das armas da fome e das doenças”.

“É um calvário conseguir alimentos e remédios no nosso país. E o governo pretende dominar meu povo, a minha Venezuela, através da miséria. E isso eu o denuncio perante os senhores”, afirmou.

Por fim, Ortega agradeceu pela solidariedade recebida e disse que continuará de pé para lutar.

“Poderão inventar casos, poderão inventar crimes, poderão continuar encarcerando e perseguindo meus familiares e pessoas próximas, mas jamais renunciarei a algo que jurei, que é defender até o último suspiro a democracia, a liberdade e os direitos humanos na Venezuela”, afirmou.

Por sua vez, o procurador-geral do México, Raúl Cervantes, condenou em nome dos procuradores participantes da reunião “a ilegal e arbitrária destituição e perseguição” de Ortega, em “clara contradição com o marco constitucional e legal” do país.

A hoje ex-procuradora se distanciou do governo no final de março ao denunciar a quebra da ordem constitucional e repudiar as represálias das forças de segurança contra os protestos populares, acusando o governo de fazer “terrorismo de Estado”. EFE

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