Por favor, pare de perguntar a uma mulher quando ela terá um bebê

Por favor, pare de perguntar a uma mulher quando ela terá um bebê

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“E aí, quando você vai ter filhos?” Vamos ser honestos: todos nós já fizemos esta pergunta aparentemente inofensiva, em algum momento de nossas vidas. No entanto, ela não é nada inofensiva.

Meu exemplo: eu estive solteira, ou em relacionamentos casuais, durante boa parte dos meus 20 anos. É para isso que esta década serve, não? É o momento de entender o que você quer da vida, antes de que as coisas comecem a ficar um pouco mais sérias. Ou pelo menos era o que eu pensava. Aparentemente, de acordo com uma amiga, estar solteira aos 28 anos é como projetar a sua própria mensagem subliminar para o mundo.

“Eu achava que você não queria ter filhos!”, exclamou ela, abismada, enquanto tomávamos café da manhã e eu comecei a falar sobre o futuro. Quando ela percebeu que eu fiquei um pouco confusa, continuou: “Bom, você não parecia querer um relacionamento, então eu achava que você estava feliz, sendo uma mulher independente”.

Embora ela não tivesse a intenção de me ofender, de certa forma me ofendeu. Concluir que eu não queria ter filhos por causa do que (para mim) parece uma razão ridícula, me fez sentir que a minha fertilidade já havia passado do prazo de validade. E me senti insultada. Será que eu precisava sair correndo até a rua e fazer um pacto de casamento e bebês com o primeiro homem que encontrasse? Sinceramente, esperava que não, especialmente porque estávamos num bairro com uma grande população de idosos.

Como seres humanos, parecemos ter um enorme fascínio pela fertilidade dos outros. Seja de forma inocente ou não, discutir as escolhas reprodutivas de alguém é algo que precisa acabar. Pode ou não haver uma boa (ou terrível) razão pela qual alguém ainda não teve filhos, mas acredite, a pessoa definitivamente já pensou nisso antes de você trazer o assunto à tona. Chegou o momento de entender que uma mulher vale muito mais do que o estado do seu útero e seus planos reprodutivos.

A mãe de um filho único

“Quando meu filho tinha uns dois anos, comecei a ouvir várias perguntas do tipo ‘Então, quando vem o próximo?’ Eu respondia com uma explicação longa e cheia de culpa sobre por que decidimos ‘ter apenas um’, desesperada para obter a aprovação dos outros e me assegurar de que não era uma pessoa terrível e egoísta por não dar um irmão ao meu filho. Não foi, na verdade, uma decisão fácil de tomar. Passamos muitas horas discutindo e agonizando, pelo fato de que, nos nossos corações, sabíamos que estávamos no nosso limite financeiro, físico e emocional, e que ter outro filho iria desequilibrar nossa família, e nós poderíamos passar dificuldades. Apenas não queríamos isso para nós, nem para o nosso filho.

Eu sentia que tinha que justificar a nossa decisão e deixar claro que eu realmente adoro ser mãe, apesar de ter escolhido ter apenas um filho. Após um tempo, quando a minha própria culpa passou, passei a ressentir a implicação, intencional ou não, de que de certa forma a nossa família era incompleta, ou de que o meu menino maravilhoso não era suficiente.

Fico indignada pelo fato de que, somente por ter um útero e tê-lo usado, meus planos reprodutivos estão abertos à discussão e sujeitos à opinião de completos estranhos – e também pelo fato de que meu marido nunca ouviu a mesma pergunta”.

Os recém-casados

“Meu marido e eu estávamos juntos há 10 anos quando nos casamos, então eu já estava acostumada com perguntas desagradáveis sobre o meu futuro, mas a velocidade com que a pergunta sobre os filhos veio, me chocou. Nosso avião havia literalmente tocado o chão após a lua de mel, quando a minha sogra perguntou, em tom de brincadeira, sobre os netos. E não são só os parentes mais velhos; se eu ouso pedir um refrigerante no lugar de uma taça de vinho, num jantar com as amigas, imediatamente ouço a pergunta ‘Você não está grávida, está?’

Fico triste ao pensar que estas amigas não imaginam que eu posso estar passando por um inferno. Eu posso estar tentando desesperadamente conceber, sofrendo a dor dos abortos espontâneos – e ainda assim elas fazem uma pergunta tão incrivelmente pessoal da mesma forma, sem cuidado ou interesse, somente porque acham que é isso que, uma mulher na minha situação, deveria estar fazendo.

No começo, eu respondia honestamente que não tinha certeza se estava pronta e que queria passar mais tempo aproveitando apenas a companhia do meu marido. Mas após alguns comentários ressaltando que ‘eu não estava ficando mais jovem’, agora respondo com uma abrupta mudança de assunto.

No final das contas, me sinto incrivelmente pressionada pelas perguntas e um pouco triste pelo fato de que se eu começar uma família, ao invés de alegria e entusiasmo, nossas notícias serão recebidas com um curto ‘já era hora’”.

O casal sofrendo de infertilidade

“Há muita pressão sobre nós, desde jovens, para evitar engravidar a qualquer custo, até estar totalmente pronta ou ‘sua vida vai acabar’. Então, quando você começa a tentar engravidar, imagina que simplesmente vai acontecer, num estalar de dedos. Você não espera que, após dois anos de tentativas, você ainda estará esperando por aquele resultado positivo do teste da farmácia.

Viver no limbo antes da próxima menstruação, analisar exageradamente cada sensação que você tem somente porque pode ser um sinal de gravidez, apenas para ver aquela linha única no teste, seguida por uma tristeza que você não consegue superar, até que o processo comece novamente. E você nunca sabe quando, ou se, ele vai acabar.

Esta é a minha realidade. Então quando todas as pessoas, de familiares a estranhos, enfiam a faca do ‘Quando vocês vão ter filhos?’ no meu estômago, minha alma dói. Engulo as lágrimas e respondo com um ‘Ah, nós provavelmente vamos tê-los, em algum momento’. Eu não entendo por que fomos condicionados a sentir que é normal fazer uma pergunta como esta. É invasiva, grosseira, e eu sou forçada a mentir. O que eu deveria dizer? ‘Bom Karen, basicamente eu tenho consultas médicas regulares, nas quais eles colocam câmeras desconfortáveis, semelhantes a vibradores, na minha vagina e tentam descobrir por que eu passei os últimos 26 meses no limbo das mulheres privadas de bebês, lidando com fracassos e decepções constantes e sentindo que não sou suficientemente boa para fazer o que os humanos foram colocados nesta Terra para fazer.

Eu sei que eles não querem me machucar, mas ter a pressão extra dos outros, quando você está tentando engravidar, é algo que eu simplesmente não consigo lidar, em conjunto com todo o resto. Eu gostaria que as pessoas levassem isso em consideração e pensassem antes de falar”.

A mulher focada na carreira

“Tenho 30 anos e sempre mantive meu foco nos meus objetivos de carreira e em como irei alcançá-los. Minhas amigas, definitivamente, me veem como “a motivada”, mas eu também gosto de me divertir e aproveitar a vida. Tenho muitos amigos e, recentemente, terminei um relacionamento de dois anos, motivo pelo qual fiquei chocada quando uma das minhas amigas disse que pensava que eu não queria ter filhos, porque sou a “focada na carreira” (ela me comparou a Barbara Windsor). Não consegui acreditar. Nós ainda estamos vivendo numa época em que as mulheres precisam escolher entre ter uma carreira e ter uma família? Seria totalmente impossível ter os dois?

Foi algo muito ofensivo. As pessoas precisam parar de viver na idade das trevas. Eu quero ter filhos, quando estiver estabilizada na minha carreira, e depois de atingir os objetivos que defini para mim. Ou mesmo que acabe acontecendo antes disso, tenho certeza de que sou perfeitamente capaz de alcançá-los, com um bebê”.

A mulher “no auge da idade”

“De acordo com a publicidade direcionada, eu deveria estar subindo no bonde da gravidez na tenra idade de 29 anos. Toda vez que estou navegando na internet, vejo anúncios relacionados à gestação, mostrando mulheres sentadas em cozinhas do tamanho da minha casa inteira, no meio do dia (provavelmente seus parceiros estão no trabalho ganhando dinheiro para pagar por aquela casa), felizes demais porque receberam um resultado positivo em seus testes de gravidez.

Toda vez que eu vejo aqueles anúncios, me sinto triste. É isso que as mulheres da minha idade “deveriam” estar fazendo. E sim, eu adoraria, mas no momento minha vida não se encaixa nesta descrição. O que eu deveria fazer – ter um bebê e continuar dividindo um apartamento? Trazer o bebê comigo para o trabalho e deixá-lo embaixo da minha mesa (você já viu os preços das creches?!)?

Realmente não sei qual é a solução. Eu só sei que para muitas mulheres, a realidade de poder ‘ter tudo’ não é alcançável nesta idade. E parece que algumas mudanças enormes precisarão acontecer antes de que seja.

Para ser honesta, eu gostaria de ver um anúncio de teste de gravidez com uma imagem um pouco mais realista. Como duas amigas, sentadas em uma cozinha simples, tomando Prosecco em canecas descombinadas, e brindando para celebrar um resultado negativo. Isso, para mim, parece mais com a realidade”.

A mulher de trinta e tantos anos

“Eu sempre quis uma família e não imaginava a minha vida de outra maneira. Mas quando terminei um longo relacionamento, dois anos atrás, aos 34 anos, ficou claro para mim que as coisas não iriam se ajeitar magicamente. Quando o destino não faz o seu trabalho, você precisa fazer as coisas com as suas próprias mãos. Então, sim, estou ativamente procurando um relacionamento. Mas quem quer admitir isso? E é claro, eu sei que há uma pressão extra na minha idade. Sei que o tempo não está ao meu lado, biologicamente falando, se eu quiser ter filhos. E com certeza, não preciso que ninguém me lembre disso.

Então a resposta é: sim, eu quero ter filhos. Quero desesperadamente, mas ainda não conheci o homem certo; e além disso, será que devo correr para engravidar assim que achar a pessoa certa? Estou sob muita pressão, e isso me afeta mais do que eu gostaria de admitir. Sinto que um punhal perfura meu coração quando alguém me diz para ‘correr e ter filhos antes que o tempo acabe’.

Eu sinto vergonha e sou educada demais para fazer algo diferente de rir, mas no fundo esta é uma lembrança constante de algo que já está na minha cabeça”.

A mulher que não quer ter filhos

“Não, eu não quero ter filhos. Ah, também preciso oferecer uma explicação? Bom, sinto lhe desapontar, mas não há uma. Eu simplesmente não sinto, pessoalmente, que isso é algo que eu queira. Meu parceiro e eu estamos juntos há cinco anos e discutimos a possibilidade de nos casarmos no futuro, mas nós dois decidimos que não queremos ter filhos. Toda vez que ouço a temida pergunta, sempre sinto que tenho que justificar minha resposta com explicações detalhadas para ajudar as pessoas a entenderem ou para evitar que eu me sinta um monstro. Elas sempre respondem ‘Você é jovem, provavelmente vai mudar de ideia um dia’. Não quero desapontá-los, mas eu sei que não vou. E se não ter um motivo é suficiente para mim, deveria ser suficiente para todos os outros também”.

Colette Earley

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