Guarani, sob a batuta de Vadão, consegue fazer milagre no Brasileiro da Série B

Guarani, sob a batuta de Vadão, consegue fazer milagre no Brasileiro da Série B

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Jogadores do Guarani comemoram gol em jogo da Série B (Foto: Luís Cardoso / Guarani Press)

Absolutamente nada indicava que o Guarani pudesse fazer uma boa campanha no Campeonato Brasileiro da Série B. Há muitos anos lutando contra uma crônica falta de dinheiro, o tradicional clube de Campinas decepcionou sua torcida no início do ano por não ter conseguido passar da primeira fase do Paulista da Série A-2, a segunda divisão de São Paulo, e parecia destinado a cair para a Série C nacional. Mas o improvável está acontecendo e o velho Bugre tem conseguido fazer milagre na divisão de acesso à elite do futebol do Brasil.

Mesmo enfrentando clubes com muito mais estrutura e dinheiro, como Internacional, Goiás e Figueirense, o time alviverde tem se mantido regularmente entre os quatro primeiros colocados, e vai terminar a 17ª rodada na vice-liderança se vencer neste sábado o Londrina, no Brinco de Ouro da Princesa, às 16h30. A boa fase do Guarani é resultado da volta do técnico Oswaldo Alvarez, o Vadão, um profundo conhecedor do clube, e de uma melhora na situação financeira do Bugre, graças à venda de seu estádio.

O veterano Fumagalli é um dos destaques do time (Foto: Guarani Press)

Sem condições de contratar muitos reforços, Vadão trabalhou com o que tinha para arrumar a casa durante a Série A-2 (ele chegou ao clube durante o torneio) e a consequência desse esforço está aparecendo na Série B. Seu time supera a falta de grandes destaques individuais com um apurado senso coletivo e vai obtendo bons resultados, apesar de ter empatado suas últimas três partidas.

Fora de campo, o Guarani está conseguindo algum alívio financeiro graças à venda da área do Brinco de Ouro ao Grupo Magnum, que pretende construir um shopping center e prédios comerciais no local. Em troca, a empresa se comprometeu a pagar as dívidas do clube e a construir um novo estádio para 20 mil pessoas e um centro de treinamento. Enquanto isso não acontece, o time continua usando sua velha casa e recebendo uma “mesada” de R$ 350 mil do Grupo Magnum, dinheiro que paga mais da metade da folha de pagamento do futebol alviverde – cerca de R$ 600 mil mensais.

As construções ainda não começaram por causa de uma pendência jurídica. A empresa gaúcha Maxion venceu o primeiro leilão do Brinco, mas essa vitória foi anulada pela Justiça, o que permitiu ao Grupo Magnum levar a melhor no negócio. A Maxion não desistiu da briga e apelou a uma segunda instância, que deverá julgar o caso nos próximos meses. Em Campinas, porém, é dado como certo que os gaúchos serão derrotados mais uma vez.

Enquanto esse problema não é resolvido, Vadão e sua turma, que inclui os experientes Fumagalli e Richarlyson, vão surpreendendo os favoritos na Série B. Tudo o que a torcida bugrina espera agora é que o time tenha fôlego para manter o bom desempenho até o fim do ano e volte a disputar o Brasileiro da Série A, o que não ocorre desde 2010.

ENTREVISTA: VADÃO, TÉCNICO DO GUARANI

Como é possível um time que não foi bem no Paulista da Série A-2 fazer boa campanha no Brasileiro da Série B, um campeonato muito mais difícil?
O time realmente não foi bem na A-2, mas comigo teve uma reação muito boa, com 62% de aproveitamento. Foi uma pena não ter dado tempo de levar o Guarani à fase final, pois cheguei muito em cima da hora. A desconfiança da torcida e da imprensa para a Série B era grande, e nós decidimos trocar parte do grupo, mas os reforços que chegaram demoraram para estrear e começamos a competição com o time da A-2 mesmo. Aí a equipe começou a jogar bem, a ganhar, e foi mantida.

Vadão, técnico do Bugre (Foto: Gabriel Ferrari / Guarani Press)

Qual era o seu objetivo antes do início da Série B?
A nossa expectativa era não cair para a Série C, mas isso mudou. Agora em Campinas dizem que o time tem de subir, só que não é bem assim. Nós trabalhamos com minimetas, e funciona da seguinte maneira: temos de fazer dez pontos a cada seis jogos. Somos rigorosos nisso, tanto que os jogadores nem ganham premiação se não cumprirem esse objetivo. Até agora estamos conseguindo ir bem (o time tem 28 pontos em 16 jogos), e vamos manter esse modo de trabalhar até o fim. Não estamos fazendo contas para saber quantos pontos são necessários para subir, é muito cedo para isso.

A mudança de expectativa da torcida, que antes temia a queda e agora sonha com a volta à Série A, pode ser um problema?
Sim, e nós temos de ter muito cuidado com a empolgação. Eu falo isso todos os dias para o meu grupo, mas os jogadores estão com os pés no chão. Temos profissionais experientes, como o Fumagalli e o Richarlyson, que são lideranças muito positivas. Os jogadores têm ótimo comportamento, as lideranças ajudam muito, todos colocam o coletivo em primeiro lugar.

Como está a situação financeira do clube?
Está tranquila. Os salários estão em dia, às vezes atrasam alguns dias, mas nada fora do normal, está tudo caminhando bem. Quem administra o dinheiro é a Justiça (a maior parte dos ganhos do Guarani está bloqueada por causa de dívidas), por isso não há muito para investir, trabalhamos com muita dificuldade. Temos de agradecer bastante ao Palmeiras e ao Cruzeiro, que nos emprestaram jogadores com os salários já pagos.

Você está na quinta passagem pelo Guarani, e nas duas anteriores conseguiu ótimos resultados (levou o time à Série A em 2009 e foi vice-campeão paulista em 2012). Por que as coisas sempre dão certo para você no clube?
Acho que é por causa da confiança que as pessoas depositam em mim sempre que eu chego aqui. Meu trabalho é sempre o mesmo, e existe uma empatia grande com a torcida e a diretoria. Flui uma energia positiva quando eu chego ao Guarani.

Qual a diferença do Guarani de hoje para o das suas passagens anteriores?
O clube agora vendeu seu estádio, as dívidas estão sendo pagas, então está mais seguro na parte financeira.

Você está otimista com o futuro do Guarani?
Acredito que o Guarani vai crescer, a começar pela volta à Série A, se ela realmente acontecer. Isso dará uma renda bem maior ao clube. Teremos um novo estádio, um novo centro de treinamento, não haverá dívidas, então as perspectivas são boas. Mas é preciso que a diretoria saiba administrar bem o clube para que o crescimento aconteça, não se pode repetir os erros cometidos no passado.

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