‘Não podia alimentar uma morte lenta’

‘Não podia alimentar uma morte lenta’

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De maneira emocionada, Walter Damián Montillo (foto) anunciou nesta quinta-feira, no Rio, a sua aposentadoria do futebol profissional. O meio-campista argentino amargou uma série de lesões nesta temporada e, sem conseguir uma sequência com a camisa do Botafogo, acabou se convencendo também que não teria também como dar continuidade à carreira de jogador de maneira competitiva e, como definiu nesta quinta, “não podia mais alimentar uma morte lenta”.

Chorando e com a voz embargada em vários trechos do pronunciamento e depois da entrevista coletiva que concedeu, Montillo disse que vinha sofrendo muito por não poder atuar como gostaria, assim como revelou que não queria mais ver os seus familiares chorando pelo martírio que foram estes últimos meses de sua trajetória profissional.

“Infelizmente meu corpo começou a avisar que eu não podia ficar mais 100% fisicamente”, lamentou o meia, que pouco depois ressaltou: “Sempre falei para a minha esposa que jogaria até quando eu conseguisse dar o meu máximo, e esse momento foi agora. Foram 15 anos muito bons na minha carreira, mas eu não podia continuar uma coisa que sei que não iria dar certo”, reconheceu.

A decisão de parar de jogar, que ele já vinha analisando por causa dos seguidos problemas com lesões, foi tomada de forma definitiva após Montillo se ver obrigado a deixar a partida contra o Avaí, na última segunda-feira, no Engenhão, já aos sete minutos do primeiro tempo por causa de um desconforto na panturrilha. Foi nada menos do que a sua quinta lesão na temporada e, em comum acordo com a diretoria alvinegra, ele optou por rescindir na última quarta-feira o seu contrato com o Botafogo, que iria até dezembro.

E o argentino fez questão de ressaltar que fez tudo o que podia para poder voltar a jogar como gostaria, mas se convenceu de que isso não seria mais possível. “Sempre falei que só iria jogar até o momento em que eu pudesse ser útil. Chega uma hora em que você não consegue render o que você conseguiu render a vida toda. Estou triste por não ter conseguido jogar aqui como joguei em toda a minha vida. Acreditaram em mim acreditando que eu conseguiria coisas importantes para o clube. Isso não foi possível, mas consegui levar a alguns meninos (da base e do time principal do Botafogo) um profissionalismo que eles vão levar para a vida toda. Meninos de 17 anos viram isso e eu, com 33, sempre treinei aqui como tivesse 17 e estivesse começando na carreira”, disse.

Contratado pelo Botafogo junto ao Shandong Luneng, da China, Montillo conseguiu disputar apenas 17 jogos pelo Botafogo, pelo qual não marcou nenhum gol. E o rendimento muito aquém do que gostaria foi outro fator que pesou para que ele se aposentasse e abrisse espaço para que outros jogadores do time carioca pudessem se destacar. “Não quero tirar o protagonismo de ninguém, sempre fui assim, e sempre fui leal com quem está jogando”.

DECISÃO ‘EGOÍSTA’ – Ao confirmar sua aposentadoria, Montillo também confirmou que todos no clube, entre eles o técnico Jair Ventura, assim como os seus familiares tentaram demovê-lo da decisão de parar de jogar, mas o atleta enfatizou que, pela primeira vez na carreira, precisou ser “egoísta” ao ter a convicção de quem não poderia se enganar ou enganar a todos os outros ao continuar sua carreira.

Montillo lembrou que até vestir a camisa do Botafogo e amargar uma série de lesões, tinha uma média de 50 a 60 jogos por ano e que neste ano não conseguiu nem um terço disso. “Não quero deixar esta imagem de quem ficou na maca, que não conseguiu jogar.
Desta vez eu vi minha família sofrendo muito e não queria isso”, ressaltou, para ao mesmo tempo enfatizar o sofrimento que a própria decisão de parar causaria a todos que o cercam atualmente.

“Ninguém aceitou que eu parasse, mas ninguém pode entrar no meu corpo e passar pelo que eu passei. Neste momento, eu fui egoísta e pensei mim. Na minha vida toda eu pensei em todo mundo, mas desta vez eu pensei em mim. Criei uma expectativa muito grande, e isso é muito bom pelo que eu fiz antes, mas a expectativa que eu criei eu não consegui atingir. Não queria passar uma expectativa que eu não conseguiria atingir… Não vou ficar aqui e fazer as pessoas passarem raiva”, disse.

“Você se prepara dois meses, fazendo tudo o que eu tinha de fazer, e chega na hora do jogo e só consegue jogar três ou quatro minutos, aí pra mim já deu. O Jair não concorda que eu pare de jogar, acha que eu daria mais muita coisa aqui, mas eu disse ao Jair que eu não posso fazer mais nada além do que eu já fiz aqui nestes últimos dois meses (nestes seus longos processos de recuperação)”, admitiu.

Montillo ainda enfatizou que passou a sentir “vergonha” por não conseguir atuar em meio a esta série de lesões que vinha sofrendo, o que ficou claro na conversa que teve com o treinador botafoguense e na qual confirmou que iria se aposentar.

“Disse a ele (Jair): ‘Vou olhar pra você e pedir pra sair com três minutos, não quero ter vergonha e consegui muita coisa importante na minha carreira pela pessoa que eu sou… Senti vergonha na última segunda-feira, e isso foi o último ‘soco que tomei’. Não vou alimentar uma morte lenta”, disse.

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