Ela vende produtos eróticos – mas “tem pijama também”

Ela vende produtos eróticos – mas “tem pijama também”

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Bem antes do filme “De Pernas Pro Ar” (2011) bater recordes de bilheteria com a história de uma mulher que redescobre o prazer e vira sócia de uma sex shop, Flávia Lopes já carregava sua malinha erótica de porta em porta. Detalhe: na cidade paulista que abriga a Catedral Basílica de Nossa Senhora Aparecida.

Graças à simpatia desbocada e incansável peregrinação sobre sua moto, ela arrebanhou fiéis – mulheres interessadas em compartilhar intimidade, pedir dicas para melhorar a vida sexual, comprar creminhos e brinquedinhos. Aos 34 anos, casada e mãe de uma menina, Flávia representa o universo de milhares de “consultoras sensuais” que atendem em domicílio por todo o país.

– Como você começou a vender brinquedos / cosméticos eróticos?
FLAVIA – Eu trabalhava numa empresa vendendo planos funerários. Muitos anos antes, vendi lingeries e as clientes me pediam produtos íntimos, mas eu tinha um certo preconceito. O tempo passou até que recebi o email de uma loja fazendo propaganda de fantasias sensuais. O mercado já era outro – e eu também. Resolvi comprar algumas, além de camisolinhas e óleozinhos eróticos. Vendia na hora do almoço pra colegas de trabalho. Por causa do boca-a-boca, saía à noite de moto fazendo entregas. Isso catorze anos atrás…

– O preconceito era muito maior, né?
FLAVIA – Sim. Logo depois de começar o negócio, recebia as pessoas na minha casa e promovia reuniões de mulheres. Tinha gente que tocava a campainha e ficava desesperada pra eu abrir logo a porta. Eu falava: “Se alguém perguntar, avisa que eu vendo pijama”. Uma vez fiz um evento com desfile de lingeries e tinha homem na porta querendo tirar a esposa de lá. Ouvi coisas como “Quem ela pensa que é pra chegar na cidade vendendo essas coisas?”. Eu me dei o apelido de Tieta [personagem considerada libidinosa em novela da Globo]. Antes de mim ninguém fazia nada, né? Eu que trouxe a pornografia pra cidade? (risos).

– Por que elas preferem te receber do que ir a uma sex shop ou comprar pela internet?
FLAVIA – Primeiro porque na região não tinham lojas que vendiam produtos eróticos, aconteciam só algumas reuniões bem escondidas. E as pessoas têm receio de comprar pela internet sem saber a qualidade do produto e como usar. Além da comodidade de eu levar, abrir minha mala, entregar ali mesmo, conversar sobre o assunto, ser discreta…

– Há quatros anos você abriu uma loja física. Precisa disfarçar a venda de produtos eróticos?
FLAVIA – É um lugar super discreto, não tem placa “sex shop”. Pra você ter ideia, chama Renda Rosa. No primeiro andar, vendo moda praia e fitness, pijamas, camisola… tudo rosinha e fofo. Você precisa subir as escadas pra encontrar o espaço com as próteses penianas, vários tipos de vibrador, fantasias eróticas, cremes etc. E, mesmo assim, até hoje tem gente que entra na minha loja olhando pros lados com medo de ser reconhecida.

– Qual o perfil da sua clientela? O que buscam?
FLAVIA – No geral são mulheres héteros, entre 20 e 40 anos, em relacionamentos estáveis. A maioria reclama da falta de libido, está cansada e sem disposição, quer apimentar a relação. Digo que mulher costuma ter preguiça de começar e, depois que começa, a coisa engata. Muitas não chegam ao orgasmo nem sabem o que é! Dá vontade de ensinar na hora. Elas não se masturbam.

– E elas ainda têm receio de levar um vibrador pra casa?
FLAVIA – Algumas acham que vibrador é pra solteira ou que o parceiro vai se sentir ofendido. É um pensamento machista. Daí perguntam se tem cosmético que elas podem usar sem ele perceber durante o sexo. O melhor é começar a dois com creminhos e óleos que esquentam/esfriam, lubrificantes e fantasias sensuais. Às vezes evoluem pro anel peniano. Agora o maior sucesso é o ovo que serve pra masturbar o homem.

– O que a família e os amigos comentam sobre o seu trabalho?
FLAVIA – Minha mãe é tímida, às vezes me ouve falando alguma coisa e brinca: “Não sei como você nasceu de mim!”. Meu pai vende meus produtos pros colegas, indica a loja pra todo mundo, não tem nenhum preconceito. Meu marido é super tranquilo, testa tudo comigo – desde que nada seja introduzido nele (risos). Quando perguntam pra minha filha com o que eu trabalho, ela responde “moda íntima e produtos sensuais”. Meus sogros sabem, mas são mais fecham e não tocam no assunto.

*Nathalia Ziemkiewicz, autora desta coluna, é jornalista pós-graduada em educação sexual e idealizadora do blog Pimentaria.

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