Mãe de criança com autismo cria projeto de inclusão

Mãe de criança com autismo cria projeto de inclusão

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Por Juliana Gola

Com a campanha #autistaDEVEestudar, Fernanda Poli tem recebido depoimentos de mães que sofrem em silêncio.

Quando entrou na escola, em 2015, com um ano e meio, Miguel ainda não tinha sido diagnosticado com autismo. Estava matriculado na escola e fazia as atividades seguindo a rotina daquela idade. Aos dois anos e meio, um ano depois, a mãe, Fernanda Poli, começou a perceber um comportamento diferente: “Ele começou a falar e repetia algumas vezes a mesma coisa, pulava balançando os braços, e a professora me dizia que ele não sentava na roda de conversa e não interagia com as outras crianças”, conta.

Tais características são também comuns à idade e Fernanda achou se tratar de um atraso no desenvolvimento, mas no caso de Miguel, o pediatra acabou confirmando o Transtorno de Espectro Autista Leve, depois de uma análise comportamental, única forma conhecida hoje para estabelecer o diagnóstico. Desde então, a mãe iniciou uma saga que parece não ter fim, em busca de uma escola que trabalhe de fato a inclusão. “Não uma escola especial, mas uma onde o diferente seja tratado com muito respeito, acolhimento e amor”, diz Fernanda.

O pequeno Miguel – Foto: Acervo Pessoal

Mais de 15 instituições depois, as negativas surpreenderam a mãe, que resolveu criar na internet a campanha #autistaDEVEestudar. Com a repercussão rápida, Fernanda conta que muitas mães a procuraram para compartilhar suas histórias. “O que me chamou atenção nestes depoimentos é que elas não contam para a escola e em muitos lugares, quando descobrem o autismo, elas fazem um ‘esforço’ para que a mãe tire a criança”.

Está na lei: Art. 7o: “O gestor escolar, ou autoridade competente, que recusar a matrícula de aluno com transtorno do espectro autista, ou qualquer outro tipo de deficiência, será punido com multa de 3 (três) a 20 (vinte) salários-mínimos.”

“As leis garantem a inserção do aluno com necessidade especial em toda e qualquer escola. Porém, o que efetiva a inclusão é a formação do professor, o conhecimento que a instituição tem sobre educar nas e para as diferenças. Onde não há professores formados para tal, a inclusão continua sendo um ‘faz de conta’ e o ato de educar é real, não pode pertencer ao imaginário”, diz a educadora Ligia Fleury, que participou no último dia 1º de junho do II Congresso Internacional e VII Nacional de Dificuldades de Ensino e Aprendizagem, em São Paulo, abordando o tema: “Inclusão na sala de aula: uma realidade e não uma hipótese”.

Fernanda concorda. “O que eu descobri é que todas as escolas têm esse discurso bonito de inclusão, mas na hora de atender uma criança com autismo, não há preparo algum. No setor público, existem treinamentos de dois anos para os professores, mas a quantidade de alunos, para o caso de uma criança autista é inviável, já que a interação está entre as principais dificuldades. São até 40 crianças por sala”.

A família reunida – Foto: Acervo Pessoal

A mãe conta que a sensação de exclusão é diária e que pretende escrever mais sobre o assunto no blog Curtindo com Crianças, que criou em abril de 2016, com o objetivo de reunir informações e dicas que envolvam o universo materno infantil. “O projeto #autistaDEVEestudar ganhou grande repercussão e não quero que pare por aí. As mães devem denunciar, falar sobre o assunto, não sofrerem caladas e nunca sentirem vergonha”, afirma.

Miguel está com três anos e meio e começou o tratamento um ano atrás com uma psicóloga, sempre acompanhado pela mãe, que participa das sessões e também faz consultas sozinha. “Percebi uma melhora significativa. Vejo ele mais centrado, desenvolvendo a linguagem e interagindo com crianças e adultos, quase sem nenhuma estereotipia. O que eu espero é que ele possa conviver cada vez mais com outras crianças, que participe de todos os eventos sociais, como qualquer um”, completa Fernanda.

“As famílias não são ouvidas e nós, Educadores, temos que lembrar a todo instante que a inclusão só existe porque alguém precisa ser incluído. Para que possamos garantir a inclusão no processo educacional, social, há que haver empatia, há que se criar vínculos afetivos entre os integrantes no processo, conhecer o núcleo familiar, perceber quais as habilidades do aluno e suas dificuldades, seus interesses e como ele aprende”, afirma a educadora Ligia Fleury.

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